A realidade que nos exige ação

Artigo publicado no jornal Zero Hora de 29 de setembro de 2021

29/09/2021

Gabriel durante apresentação dos resultados da pesquisa sobre desigualdade social no RS. Foto: Joel Vargas

O que já víamos nas ruas, com o aumento exponencial de pessoas em situação de vulnerabilidade social, se revelou, por meio dos números apresentados na pesquisa realizada pela Assembleia Legislativa, a ponta de um iceberg do aumento da desigualdade em nosso Estado. Os índices revelaram uma realidade mais grave e mais cruel do que imaginávamos, com sete em cada 10 famílias gaúchas tendo perdas na renda familiar.

Os resultados mostram, ainda, que o estrago foi maior entre os mais pobres: 77,1% dos lares com ganhos de até dois salários mínimos tiveram queda nos rendimentos. Entre trabalhadores informais e autônomos, esse percentual chegou a 83%. Na educação, os 18 meses de crise provocaram uma verdadeira debandada das escolas e das universidades.

A pesquisa do IPO mostra uma realidade que vem se apresentando dura aos nossos olhos e nos empurra para a ação. A experiência das inúmeras guerras que a humanidade enfrentou aponta para um só caminho em direção à superação: a união de todos – governos, entidades, empresários, sociedade civil em geral.

Desde o início deste ano, a ALRS vem fazendo a sua parte, alinhada a essa luta. Através do projeto O RS Pós-Pandemia, tem promovido debates, estudos e pesquisas sobre esse difícil tema. Acreditamos que, através desses diagnósticos precisos, poderemos encontrar caminhos seguros para a superação.

Para o enfrentamento à desigualdade, o Legislativo sugeriu medidas ao governo: o pagamento de bolsas de estudo em universidades – devido à queda de matriculados de baixa renda que tiveram perdas econômicas – e atenção prioritária à primeira infância, com vinculação do ICMS das prefeituras à educação, distribuídos conforme melhores indicadores no atendimento de crianças até seis anos. Essas e outras medidas emergenciais nas áreas de saúde e educação já estão em andamento.

Assim, estamos construindo um novo tempo no parlamento gaúcho. Um tempo mais de ouvir do que de falar. Um tempo de se conectar com as dores das pessoas e procurar o remédio para amenizar esses males. Um tempo de fortalecer o papel do Legislativo: o de representar a todos.