Companheirismo além do Batalhão

19/03/2020

“A minha relação com o Zuco é como pai e filho, pois o vínculo é muito importante para o treinamento. Ele com certeza gosta de mim igual eu gosto dele”. É com esse carinho que o soldado Alexandre Gomes fala da sua relação com o pastor alemão Zuco, que há cerca de sete anos é seu companheiro na Brigada Militar, em Caxias do Sul. Agora, graças a Lei 15.106/18, de autoria do deputado Gabriel Souza (MDB), que permite que cães e cavalos da Segurança Pública possam, ao fim de sua vida laboral, ser adotados pelo servidor, eles poderão estender o companheirismo para além do Batalhão.

O soldado, que há 21 anos trabalha no canil do 12º BPM de Caxias do Sul, conta que no início treinou o cão para atividades sociais, apresentações, patrulhamento e choque. Aos cinco anos, Gomes começou a treiná-lo para faro de entorpecentes. “O Zuco é muito bom, com várias prisões de entorpecentes. A última, e maior, foram 41 kg de pasta base de cocaína em apoio à Receita Federal”, conta, orgulhoso do seu companheiro.

O pastor alemão é certificado pela Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) como cão de faro de entorpecentes nível 1 | Foto: Arquivo

Autor da Lei, o deputado e médico veterinário, Gabriel Souza, explica que o projeto contou com a colaboração da vereadora de Porto Alegre Lourdes Sprenger e foi inspirado na história da ex-policial militar Kelly Thimoteo e do cavalo Nanquim, que a acompanhou durante cinco anos dentro da Brigada Militar, em Passo Fundo. “O objetivo do projeto, aprovado em 2018, era justamente regulamentar este processo de adoção. Asseguramos também, através da legislação, que aquele servidor público que manteve suas atividades laborais junto ao animal tenha preferência na adoção. É um vínculo de cumplicidade que existe e deve ser mantido, sempre que possível”, reforça Souza.

Sobre a aposentadoria, Gomes explica que devido à rotina estressante, os cães podem se aposentar a partir dos oito anos de idade. O trâmite para adoção passa por uma junta de um veterinário da Brigada Militar e mais dois oficiais. “A vida no batalhão ele vai perder, mas não vai perder tudo. Vai estar comigo”, conclui o policial.

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