Legado Sartori: coragem para fazer o que precisava ser feito

Gabriel Souza destaca que ações do governo buscaram um Estado mais enxuto, eficiente e moderno

27/03/2019

Ex-líder do governo fez balanço da gestão durante grande expediente | Crédito: Galileu Oldenburg

No período do Grande Expediente da sessão plenária, nesta quarta-feira, 27 de março, o deputado Gabriel Souza (MDB) fez um balanço dos quatro anos da gestão de José Ivo Sartori à frente do Piratini. Ex-líder do governo no Parlamento, disse do seu orgulho no cumprimento da missão que durou 937 dias e que o levou inúmeras vezes à tribuna para fazer os históricos enfrentamentos e debates tanto com colegas da base quanto da oposição.

“Volto a este microfone para reconhecer e valorizar as marcas profundamente positivas desses quatro anos em que José Ivo Sartori governou nosso Estado. Foram muitas as entregas à sociedade. No entanto, ocupo este espaço democrático para, igualmente, falar sobre honradez, sobre coragem e sobre o legado que ficará às próximas gerações”, sublinhou.

Fazer o que precisava ser feito

Em janeiro de 2015, recordou o parlamentar, Sartori já repetia como mantra que resolver a situação do Estado não era obra de um homem só, nem de um só governo, mas sim de toda a sociedade gaúcha por um longo período de tempo. “Decidiu, assim, começar o processo. Afinal, alguém finalmente tinha que fazer o que precisava ser feito, independente das rejeições”, frisou Gabriel Souza, acrescentando que é necessário entender o momento histórico que o Brasil viveu no quadriênio depois de 40 anos de despesas acima da receita e de uma política fiscal expansionista. “Assumimos o Rio Grande do Sul em um momento em que o Estado exauriu sua capacidade de endividamento. Não haviam mais fontes de financiamento – como o saque dos depósitos judiciais – e tivemos que administrar os recursos do tesouro com muito rigor fiscal para que não tivessem despesas exageradas ou supérfluas”. Aliado a isso, acrescentou Gabriel, a crise econômica sem precedentes que atingiu o Brasil em virtude “dos equívocos da política econômica cometidos especialmente a partir de 2011 no país”, também não estava prevista quando o governador Sartori assumiu o Estado.

Conquistas

Gabriel Souza enumerou várias conquistas em áreas essenciais à sociedade, destacando alguns pontos mais significativos. Na segurança, “um clamor dos rio-grandenses”, foi realizada uma das maiores reposições de pessoal da história. “Foram chamados 4.290 servidores de concursos antigos e outros 6 mil fazem parte do maior concurso realizado nas últimas décadas. As frotas foram modernizadas com mais 1.006 viaturas novas, sendo 300 doadas pela iniciativa privada e instituições públicas parceiras, algo até então inédito. Desde 2015, aconteceram mais de três mil ações policiais coordenadas, mobilizando toda a estrutura de segurança no combate ao crime organizado”, ressaltou. Igualmente, foi aprovado, na Assembleia, o Programa de Incentivo à Segurança Pública que prevê a isenção de ICMS para doações de equipamentos ao setor. “Só isso garantirá quase seis vezes mais recursos por meio das parcerias com a iniciativa privada”, comemorou.

Narrou, ainda, avanços em segmentos ligados à saúde, educação à área social, infraestrutura e rodovias, “com a recuperação de milhares de quilômetros de uma malha destruída”. O governo Sartori, assegurou, promoveu mais mudanças do que qualquer outro Estado do país. “O Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado brasileiro a ter uma Lei de Responsabilidade Estadual, com regras para aprimorar a gestão financeira e levar a receita a crescer mais do que a despesa, a partir de um limite aos gastos públicos. Igualmente foi trabalhado um orçamento realista, antes escondido da coletividade. De outra parte, foram atingidos recordes no combate à sonegação: R$ 10 bilhões foram recuperados nos últimos quatro anos”.

Além disso, emendou, foi realizado o maior ajuste fiscal da história da administração pública gaúcha, com o governo Sartori reorganizando a estrutura pública, “diminuindo o tamanho paquidérmico de um Estado com 39 órgãos na administração indireta, enfrentando interesses e sacudindo muitas zonas de conforto”. Também foram aprovados o Regime de Previdência Complementar e a revisão das alíquotas de contribuição previdenciária.

O mérito da coragem

Porém, destacou o líder do governo Sartori no Parlamento, “o maior mérito do ex-governador não pode ser medido em metro cúbico ou metro linear, nem mesmo em quantidade de legislações aprovadas na Assembleia, ou em recursos financeiros economizados nas suas ações. Seu maior mérito, seu maior legado, é haver tido a coragem de colocar sobre a mesa algo que estava escondido por baixo de papéis menos importantes na agenda do Rio Grande do Sul: ele teve a coragem de retomar a questão das privatizações e o Estado necessário”, apontou o deputado.

Sartori, continuou Gabriel Souza da tribuna do Plenário 20 de Setembro, “teve a coragem de enfrentar modelos antigos, estruturas viciadas, corporações enraizadas e grupos da elite sindical da América Latina. Coragem em propor à Assembleia situações que há muito aguardavam enfrentamento. Mesmo não reeleito, o programa que defendia derrotou os que pensavam diferente já no primeiro turno. No segundo turno das eleições de 2018, duas propostas similares disputavam. Agora, mesmo depois da renovação escolhida pelo povo gaúcho, não podemos perder o rumo, pois a solução para os problemas do RS exige, acima de tudo, perseverança e coragem. Os passos mais difíceis são os primeiros, aqueles que já foram dados pelo governador Sartori”, reforçou, assegurando que o MDB estará perfilado ao lado das melhores propostas para o desenvolvimento dos gaúchos.

Por fim, destacou que José Ivo Sartori inaugurou uma agenda de reformas profundas nas antigas estruturas de um Estado que já não se sustenta mais. “Mas, principalmente, conduziu um governo sólido baseado no cultivo de valores como verdade, transparência, probidade, ética, respeito e, principalmente, compromisso com o interesse público. Um governador que deu início à reconstrução de um novo Rio Grande e reacendeu a esperança de uma nova cultura política gaúcha. Mesmo sem a vitória eleitoral, Sartori conquistou o respeito de todos os gaúchos, seus eleitores ou não”, resumiu.

Apartes e autoridades

Em apartes, manifestaram-se os deputados Ernani Polo (PP), Fábio Ostermann (Novo), Mateus Wesp (PSDB), Tiago Simon (MDB), Rodrigo Maroni (Podemos) e Rodrigo Lorenzoni (DEM).

Compuseram a mesa das autoridades, além da presidente da Casa em exercício, Zilá Breitenbach (PSDB), o ex-presidente da Assembleia Cezar Schimer, também ex-secretário da Segurança do governo Sartori, representando o Diretório Regional do MDB; o subprocurador-geral de Justiça, César Luís Faccioli; o subdefensor público-geral, Antônio Flávio de Oliveira; a vereadora Lourdes Splengler, representando a Câmara Municipal de Porto Alegre; e Cléber Benvegnú, ex-chefe da Casa Civil da gestão passada e representante do ex-governador Sartori.

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* Com informações da Agência de Notícias da AL/RS