O GRINGO ESTAVA CERTO

Gabriel Souza (*)

08/10/2019

O ex-governador Tarso Genro, na ZH do fim de semana, fez um apanhado da história gaúcha recente. Pôs-se, claro, como ator principal. Tudo fez, tudo acertou, tudo sabe. Os demais, coadjuvantes, nada fizeram, nada acertaram, nada sabem. José Ivo Sartori, que o derrotou nas urnas em 2014, é o principal alvo. Ele chama de “argumentos indigentes” algumas frases ditas pelo gringo naquela campanha, tais como “fazer o dever de casa” e “fazer o que precisa ser feito”. Mesmo cinco anos depois, a mágoa de ter perdido para um colono de fala simples parece incurável na alma do petista.

A questão é que, de fato, o gringo estava certo – tanto nas campanhas de 2014 e 2018 quanto em seu governo. Sartori fez a maior reforma administrativa da história do Rio Grande do Sul, mexendo em estruturas e interesses. Procurou brecar o aumento de gastos públicos. Renegociou o estoque da dívida com o governo federal e encaminhou as bases para o equilíbrio fiscal. Com realismo, resgatou a cultura da verdade na política. A demagogia perdeu tanto terreno que sequer foi para o 2º turno no ano passado.

A situação do Estado, hoje, reafirma quão verdadeiro e íntegro é o jeito de Sartori – que perdeu a eleição, mas ganhou o respeito das ruas. O atraso dos salários, como se vê, não era questão de vontade política ou fluxo de caixa. A crise estrutural exigiria persistência e mais mudanças. Não há milagres. Era preciso privatizar estatais e continuar arrumando a casa. E, com isso, aderir ao regime de recuperação fiscal. Se continuar seguindo esse rumo, a propósito, o governador Eduardo Leite também estará acertando. E nós, do MDB, o estaremos ajudando.

Já o governo Tarso aumentou gastos de custeio e pessoal em todas as áreas, irresponsavelmente. Agravou a crise e não produziu soluções concretas, apesar do tal “alinhamento de estrelas”. A perspectiva vaidosa pela qual Tarso lê a política, bem como sua linguagem rancorosa e prepotente, resume bem a completa desconexão do PT com a opinião pública gaúcha. Nenhuma autocrítica, nenhuma contribuição, nenhum aprendizado com o erro. Enquanto isso, o gringo – que, sim, sempre esteve certo – distribui o respeito e colhe o carinho que só um homem com sua reputação é capaz de receber.

Confira o artigo “Atrações Fatais na Política”, do ex-governador Tarso Genro.