Represamento de consultas e redução no número de leitos hospitalares são temas de audiência

Deputado Gabriel Souza foi o proponente do debate na Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa

21/12/2020

Por proposição do deputado Gabriel Souza (MDB), a Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa promoveu, na tarde desta segunda-feira (21), audiência pública para tratar do tema “transferência de pacientes para hospitais de alta complexidade em Porto Alegre”. O debate, realizado em ambiente virtual, foi conduzido pelo vice-presidente da comissão, deputado Dr. Thiago (DEM), e contou com a presença da secretária estadual da Saúde, Arita Bergmann, além de médicos e gestores hospitalares.

Gabriel Souza explicou ter solicitado a audiência em razão do número “impressionante” de pedidos de pacientes, não só do Sistema Único de Saúde (SUS), mas também da rede privada, que não encontravam atendimento para outras doenças além da Covid. Segundo dados referidos pelo parlamentar, havia 60 mil pessoas em lista de espera.

Dr. Thiago reforçou as críticas que vem repetindo, desde março, quanto ao não aproveitamento de três hospitais que, na sua avaliação, deveriam estar oferecendo leitos em Porto Alegre, mas que seguiam fechados por decisão da administração municipal: Beneficência Portuguesa, Parque Belém e Álvaro Alvim. Lembrou que o Ministério Público Estadual havia movido uma ação civil pública contra o município pedindo o aporte de leitos e disse que a comissão acompanharia o caso. Em sua manifestação, o deputado também defendeu a adoção de protocolos para o tratamento precoce à Covid.

O vice-presidente do Simers, Marcos Rovinski, disse que, de fato, faltavam leitos, mas que o problema não era de hoje e que era preciso discutir o financiamento e o modelo do Sistema Único de Saúde. Concordou com o deputado que se havia estruturas que poderiam ser utilizadas não se deveria abrir mão delas.

Governo do Estado

O diretor do Departamento de Regulação Estadual da Secretaria Estadual da Saúde, Eduardo Elsade, afirmou que o estado havia se preparado desde o início da pandemia e vinha dando uma demonstração de organização ao país. Segundo ele, até semana passada, haviam sido criados 974 leitos de UTI, que se somaram aos 933 já existentes. Afirmou que o estado utilizou todos os recursos e equipamentos possíveis, mas que não podia contratar serviços do SUS nos hospitais de municípios com gestão plena, que era o caso de Porto Alegre. Segundo ele, a Santa Casa estava com 36 leitos a menos para Covid do que em setembro; o Hospital de Clínicas, com 34 leitos a menos; e o Cristo Redentor, com 18. Disse que pediu explicações à gestão municipal, mas não obteve resposta.

A secretária Arita disse estar com uma expectativa muito positiva em relação ao prefeito eleito, Sebastião Melo, que, segundo ela, prometeu diálogo e parceria. Informou que havia hoje nas UTIs 949 pacientes de Covid e 171 suspeitos e frisou o esforço que resultou no aumento de 102% no número de leitos desde o início da pandemia.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (CREMERS), Carlos Isaía Filho, chamou a atenção para a dificuldade de diálogo das secretarias de municípios do interior com a da Capital e também desta com a secretaria estadual, conforme depreendia da audiência. Classificou como “inadmissível” a redução de leitos em três hospitais, no meio de uma pandemia, em um momento em que estavam ainda com uma curva elevada.

“Lockdown”

A médica Ivone Menegolla, lotada na 18ª Coordenadoria Regional de Saúde, disse que a situação era crítica no Litoral, onde se verificava hoje quase o dobro de casos de Covid em relação ao mês anterior, e fez um apelo às autoridades presentes pelo “lockdown”.

A sugestão foi descartada pelo deputado Thiago Duarte e pelo representante da Secretaria Estadual da Saúde, Eduardo Elsade, que afirmou que em nenhum momento o estado havia adotado essa medida, a qual, na sua opinião, era própria de um “estado policialesco”.

A médica recebeu o apoio, no entanto, do gerente administrativo do Hospital de Tramandaí, Luis Genaro Ladereche Figoli, que reconheceu o esforço do governo estadual em ampliar o número de leitos, mas observou que a questão não era esta e sim a velocidade de propagação do vírus, que “não estava nem aí (para as medidas adotadas)”.

Ainda participaram da audiência o vice-presidente da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), Paulo Emílio Morassutti, e o defensor público Aldo Neri de Vargas Junior, entre outros

Fonte: Marinella Peruzzo – MTE 8764 | Agência de Notícias 

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